— Ben Tarnoff - America has become so anti-innovation - It~s economic suicideA raiz do problema é a história que a gente conta pra nós mesmos sobre inovação. Veja se você já ouviu essa antes: Um gênio solitário desaparece em uma garagem na Califórnia, e sai de lá com uma invenção que muda o mundo. O motor do processo tecnológico é o empreendedor - aquele visionário rápido, que adora riscos e quebra todas as regras a lá Steve Jobs.
Essa história se repete tanto que virou clichê. E também é altamente incorreta. Ao contrário da sabedoria popular, empreendedores são péssimos inovadores. O setor privado, quando é deixado fazer o que quer, tem uma tendência muito maior de impedir o progresso tecnológico do que o avançar. Isso é porque inovação de verdade é algo muito caro de se produzir: Requer somas extravagantes de dinheiro em projetos de pequisa que podem falhar, ou que no mínimo, não geram um produto comercial viável. Em outras palavras, requer muito risco - algo que, ao contrário do que dizem os mitos, firmas capitalistas não estão interessadas em ter.
Isso cria um problema. Empresas precisam de descobertas pra construir seus negócios, mas geralmente não podem - ou não querem - bancar o custo dessas descobertas. Então, de onde vem o dinheiro? Do governo.
Como a economista Mariana Mazzucato mostra, quase todas as grandes inovações desde a segunda guerra mundial precisaram de um enorme empurrão do setor púbico, por um motivo óbvio: O setor público tem dinheiro suficiente pra assumir riscos que o setor privado não pode assumir.
A sabedoria convencional diz que o mercado força a inovação. Mas na verdade é a proteção do governo das forças do mercado que historicamente que faz do governo um inovador bem-sucedido. O governo não tem que competir, não está a mercê de seus investidores exigindo uma percentagem dos lucros. E também é bem mais generoso com os frutos do seu trabalho. Nenhuma empresa privada seria tão besta ao ponto de dar de graça suas inovações que custaram muito dinheiro pra criar. Mas é isso que o governo faz.
(…) Nem mesmo o iPhone, o celebrado símbolo do capitalismo, poderia existir sem baldes e baldes de dinheiro público. Suas tecnologias mais cruciais, como a tela sensível ao toque, o GPS, e a Siri, todas tem raízes em pesquisa fundada pelo governo

